quarta-feira, 14 de junho de 2017

Filis e Amor - Bocage

Num denso bosque
pouco trilhado,
E a ternos crimes
Acomodado,


Por entre a rama
Fresca e sombria
Do tenro arbusto
Que me encobria,

Vi sem aljava
Jazer Cupido
Junto de Filis,
À Mãe fugido.

Entre nevadas
Mãos melindrosas
Tinha um fragrante
Festão de rosas.

A mais brilhante
Dele afastando
Dizia a Filis
Com riso brando:

"Mimosa Ninfa
Glória de Amor,
De-me um beijinho,
Por esta flor?"

"Sou criancinha,
Não tenhas pejo",
Sorriu-se Filis,
Dando-lhe um beijo.

Mas o travesso
Logo outro pede
À simples ninfa
Que lhos concede.

Que por matar-lhe
Doces desejos,
A cada instante
Repete os beijos.

Assim brincavam
Filis e Amor,
Eis que o menino
Sempre traidor

Co'a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
Sua Peçonha.

Descora Fílis,
E de repente
Solta um suspiro
D'Alma inocente.

Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
Com ele voa.

"Ninguém, ó Ninfa
(Diz a adejar)
Brinca comigo
Sem suspirar."

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