quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Olhos pidões

Enquanto ele me olhava com cara de fome, prestes a me devorar,
Eu sorria um sorriso amarelo e ia me esquivando, mesmo querendo ficar.

Porque não sei brincar com fogo
Eu fingia não sentir queimar!

Fugi muitas vezes...

Como se fosse possível esquecer aqueles olhos pidões
Como se fosse possível não pensar em todas as propostas sensações (sim, propostas e maliciosamente imaginadas).
Como se fosse possível
Imaginar sem realizar e simplesmente parar de continuar imaginando.
Como se fosse possível frear o desejo que une a carne à alma.

Fecho os olhos
Choro de prazer ao imaginar
Choro de dor por não executar.

Nua dentro da roupa
Não tenho onde me esconder
Nem do seu olhar que me despe
Nem do que ele me faz sentir.

É escrever sem saber que tempo verbal usar
É um passado ainda muito recente, é uma proposta ainda presente, é uma recusa contrariamente admitida, é ter dito não, quando o corpo e o querer insistem em dizer, gritando, SIM.

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