sábado, 4 de junho de 2016

A FALSA SENSAÇÃO DE INTIMIDADE

Relacionamentos e tecnologia tornaram-se amigos.

De modo indiscutível as redes sociais proporcionam chances de amizade entre pessoas fisicamente distantes, mas bem próximas no modo de ver, pensar e sentir. Encontramos pessoas de distintos lugares com os mesmos objetivos, diferentes experiências e afinidades até pouco comuns. E o melhor de tudo, convivemos apenas com as ideias da pessoa e não com a realidade delas. Logo, a amizade virtual tem um ponto que pode ser considerado extremamente prazeroso, a sensação de que o outro é perfeito!

Afinal, essa outra pessoa que eu não vejo e não convivo tem objetivos em comum, pensa como eu, sente como eu e só me diz o que é politicamente correto; não está no meu dia a dia me mostrando suas incoerências – sim, todos nós temos as nossas incoerências! Aquela coisa que a gente jura que vai fazer e quando chega na hora dá preguiça, e aquelas coisas que jura de pé junto que é incapaz de fazer, mas vive fazendo.

O fato é que a vida real não é perfeita e que o mundo virtual é composto por pessoas tão imperfeitas quanto as que convivemos no dia a dia da nossa casa. Com um pequeno agravante: pode dar às pessoas estranhas, a sensação de intimidade que um estranho real não sente.

Na vida real e palpável, aquele estranho–esquisito, conhecido de vista, é mantido à distância.

Na realidade virtual, esse estranho colega conhecido de vista tem acesso as suas fotos, status de relacionamento, seu endereço de trabalho, escola, sabe que cargo você ocupa (pode saber até o seu salário), que carro você tem, do que você gosta ou não,que locais frequenta, que músicas ouve, se viaja, se tem animais em casa... Enfim, uma infinidade de coisas que um estranho mal encarado não saberia se não dedicasse um certo tempo investigando sua vida. Ok que ladrões, assassinos, difamadores, gente barraqueira e mal intencionada podemos encontrar em qualquer esquina, mas convenhamos que nas redes sociais estamos entregando de badeja a nossa vida exposta para qualquer um.

Vamos ter cuidado com quem adicionamos ou aceitamos como amigo. As dicas, válidas para os amigos do dia a dia, exigem cuidado triplicado para as amizades virtuais. Nem todo mundo é o que parece, ou pensa como diz que pensa. Uma vírgula fora do lugar, um “risos” por engano podem ser fatais. Muitas pessoas aproveitam do anonimato e da tendência à credibilidade que o mundo virtual oferece para executar suas falcatruas.

Não precisamos impedir a amizade entre relacionamentos e tecnologia, só devemos ter mais cuidado com a gente mesmo e com quem amamos.

Como ouvi uma vez: “Pessoas conhecemos, hábitos não sabemos.”
Complemento com: Estejamos mais atentos.

Lauraine Santos.

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