terça-feira, 7 de junho de 2016

Folha..



...Porque eu não sou como a folha seca, que qualquer vento que bate leva...

E ela voa sem rumo, sem destino exato, sem saber a que árvore pertenceu um dia. E com o tempo, não resiste à sua própria sequidão e definha, esfarelando e espalhando-se, sem deixar vestígios que um dia existiu.

Pra mim,
Pode bater vento e tempestade,
Pode o machado me ferir o tronco
E as pragas devorarem os meus frutos,
Pode toda dor se abater,
Não importa!!

Sei que sempre voltarei a dar sombra, flor e fruto,
Porque tenho sementes espalhadas
E principalmente,
Porque
Sou raiz profunda fincada à um solo fértil.

Lauraine Santos.

Como eu seria, se eu não me fosse?



E se eu fosse negra?
E se eu fosse índia?
Como eu seria, se eu não me fosse?
Ahhh...como eu seria se eu fosse homem?


Baixinho troncudo ou moreno esguio?
Jogador de futebol, crítico de cinema, ou traficante de drogas em qualquer esquina?

Enquanto mulher negra,
Usaria penteado rasta fari ou solto black power?

Enquanto índia,
Andaria nua com muitos apetrechos ou distinta pela cor da pele e pelo corrido dos cabelos?

Eu não sei quem eu seria se eu não me fosse.

Europeia cristã.
Oriental budista.
Indígena pagã.
Islâmica mulher bomba.
Pecadora judia.
Ah, se eu soubesse quem eu sou... entre tantas, eu não me perderia.

Dos lábios rúbios
Das bochechas coradas
Das tranças embutidas
Das mãos calejadas
Nos olhos molhados
Cuja menina espelha outra menina,
Nesses olhos, eu me veria.

Lauraine Santos

sábado, 4 de junho de 2016

Tirando os cargos

Quando o status não nos permite ser quem somos...

Há determinados status sociais que não permitem que o indivíduo seja quem ele quer ou precisa ser em certos momentos. As pessoas fogem dos tratamentos psiquicos como se não houvesse amanhã. E é neste cenário que podemos encontrar nossos heróis do cotidiano totalmente devastados; nossos líderes religiosos, políticos e sociais, completamente esmagalhados por dores que não suportam carregar; aflitos pelo próprio caráter dúbio que não lhes permite seguir sem tropeçar por um reto e justo caminho. Todos doentes, em um sofrimento sem fim!!

Antes de ser qualquer coisa, entenda-se como gente.
Permita-se sentir e agir como qualquer mero mortal.

E aí você me diz:
"Eu não posso procurar terapia, vão achar que eu sou maluco!"
"Eu não posso fraquejar! As pessoas dependem de mim!"
"Eu não posso procurar ajuda profissional, as pessoas vão pensar que Deus não fala mais comigo!".

Então eu pergunto,
Quantos lutos ainda não foram elaborados?
Quantos gritos ainda estão silenciados em nome da moral e dos bons costumes, mas continuam corroendo a sua vida?
Quantas dúvidas ainda pairam no ar?
Quantas calúnias amargas sua mente ainda rumina?
Quantos questionamentos você espera que Deus desça do seu trono de glória para te responder?

As respostas da vida estão expostas ao longo da caminhada, esperando apenas que você caminhe e tenha suporte para vê-las. Por isso, deixe um pouco de lado os títulos profissionais, os papeis sociais, a crença de que 'terapia é coisa de maluco", ou, "coisa do demo".

Terapia é ferramenta de cura.
Seja qual for o problema, procure ajuda.
Não adianta viver fingindo que o problema não existe. Antes, resolva-se, entenda-se, arrume-se a si mesmo... Você perceberá maior sucesso em suas funções.

Lauraine Santos

Re-inventar-se

Passar por uma rua diferente,
Conversar com alguém com quem você não conversa frequentemente,
Ouvir um ritmo musical que não seja o habitual,
Observar as pixações nas paredes e detectar qual a arte expressa além da marginalidade que fere a sociedade...
Converse com as plantas,
Com objetos do dia a dia,
Com as paredes...
Mude!!
Mude os móveis de lugar,
A cor do batom,
O penteado,
O corte do cabelo,
O tamanho das unhas,
O estilo, o cardápio...
Até o tempo é caprichoso e se transforma nas estações.
É um modo de se renovar, de renascer, reviver, reinventar.
(Em cada estação o tempo se apresenta de um modo diferente).
Se reinventar, sim.
Por que não?!
Não somos os mesmos nunca.
E se não há repetição,
Por que não ser uma novidade por si mesmo inventada?!?
Nascer, renascer, florescer para ser... uma atividade naturalmente diária, incessante, eterna.
Que seja feliz a cada instante em que se renova.
Porque no fim das contas
Cabe somente a você
Inovar-se e renovar-se e transformar-se para SER... até, de fato, SER.
Lauraine Santos.

A FALSA SENSAÇÃO DE INTIMIDADE

Relacionamentos e tecnologia tornaram-se amigos.

De modo indiscutível as redes sociais proporcionam chances de amizade entre pessoas fisicamente distantes, mas bem próximas no modo de ver, pensar e sentir. Encontramos pessoas de distintos lugares com os mesmos objetivos, diferentes experiências e afinidades até pouco comuns. E o melhor de tudo, convivemos apenas com as ideias da pessoa e não com a realidade delas. Logo, a amizade virtual tem um ponto que pode ser considerado extremamente prazeroso, a sensação de que o outro é perfeito!

Afinal, essa outra pessoa que eu não vejo e não convivo tem objetivos em comum, pensa como eu, sente como eu e só me diz o que é politicamente correto; não está no meu dia a dia me mostrando suas incoerências – sim, todos nós temos as nossas incoerências! Aquela coisa que a gente jura que vai fazer e quando chega na hora dá preguiça, e aquelas coisas que jura de pé junto que é incapaz de fazer, mas vive fazendo.

O fato é que a vida real não é perfeita e que o mundo virtual é composto por pessoas tão imperfeitas quanto as que convivemos no dia a dia da nossa casa. Com um pequeno agravante: pode dar às pessoas estranhas, a sensação de intimidade que um estranho real não sente.

Na vida real e palpável, aquele estranho–esquisito, conhecido de vista, é mantido à distância.

Na realidade virtual, esse estranho colega conhecido de vista tem acesso as suas fotos, status de relacionamento, seu endereço de trabalho, escola, sabe que cargo você ocupa (pode saber até o seu salário), que carro você tem, do que você gosta ou não,que locais frequenta, que músicas ouve, se viaja, se tem animais em casa... Enfim, uma infinidade de coisas que um estranho mal encarado não saberia se não dedicasse um certo tempo investigando sua vida. Ok que ladrões, assassinos, difamadores, gente barraqueira e mal intencionada podemos encontrar em qualquer esquina, mas convenhamos que nas redes sociais estamos entregando de badeja a nossa vida exposta para qualquer um.

Vamos ter cuidado com quem adicionamos ou aceitamos como amigo. As dicas, válidas para os amigos do dia a dia, exigem cuidado triplicado para as amizades virtuais. Nem todo mundo é o que parece, ou pensa como diz que pensa. Uma vírgula fora do lugar, um “risos” por engano podem ser fatais. Muitas pessoas aproveitam do anonimato e da tendência à credibilidade que o mundo virtual oferece para executar suas falcatruas.

Não precisamos impedir a amizade entre relacionamentos e tecnologia, só devemos ter mais cuidado com a gente mesmo e com quem amamos.

Como ouvi uma vez: “Pessoas conhecemos, hábitos não sabemos.”
Complemento com: Estejamos mais atentos.

Lauraine Santos.

SOBRE CRIANÇAS: PERCEBEM TUDO!

Após perceber a menina cometer um erro e culpar a coleguinha, em tom de brincadeira, chama-se a atenção da errante:

- Você é bem espertinha, hein?!
Ao que a menina, com um sorriso triunfante e bem inocente responde:
- Também... Eu sou filha de quem!!? De Fulaninho e Fulaninha, né?! Meus pais são espertos, eu também sou!!

Perceba que a "esperteza" foi em cometer um delito e culpar a outrém. Não estamos falando aqui de uma esperteza saudável e vivaz, mas sim, de uma malandragem cruel que joga o outro no fogo e pode prejudicá-lo mesmo que ele não mereça. Trata-se de não assumir as responsabilidades sobre os próprios erros.

O pior, é a própria criança observar (ela nem sabe que observou isso), que os pais agem assim. É essa a justificativa que ela dá: "sou igual aos meus pais!" e na ingenuidade, sente orgulho na imitação, afinal, está sendo reconhecida como uma pessoa bem esperta... Que coisa boa é para uma criança se sentir igual aos seus pais...
Vale lembrar que os filhos são macacos de imitação dos pais.

Perceber os paradoxos dos pais pode levar tempo - as vezes, durante uma vida inteira os filhos vivem seguindo os paradigmas vividos pelos pais, sem nunca questionar ou mudar, transformar ou aperfeiçoar seus modelos. Vivem como se tudo fosse perfeito.

Conhecendo os pais da criança em questão, eu sei que eles são mesmo "espertos". Não com grande desvio de caráter, mas com tendências a só buscar vantagens. O que esperar dessa criança? Que ela repita o que vê e que siga pelo caminho que estão abrindo passagem para ela seguir.

Portanto, se você compra e não paga,
Se você mente e nem sente,
Se você combina uma coisa e faz outra,
Se você erra e não admite,
Não espere diferente do seu filho.
Não cobre dele o que você não é.
Lembre-se de que ele está apenas seguindo o modelo que você é.

Para toda regra há exceção. No entanto, vale questionar que talvez, você nem esteja se dando conta de que tipo de exemplo é a sua vida.
Os Excessos também podem causar efeitos colaterais.
Enfim, para o momento, vale focar apenas no exemplo,
Pensar no que se tem percebido no filho, no que se tem recebido dele. As crianças percebem basicamente tudo ao redor delas. Ainda que de modo imaturo e as vezes errôneo, percebem. Por isso o diálogo é tão importante. E casar teoria com prática também.

Auto avaliar-se. Uma reflexão de cada vez.

Não exigir-se perfeito, mas aprender a usar o outro como espelho que reflete seus erros pode ser uma boa maneira de melhorar como pessoa. Trata-se de ser um bom exemplo, não um exemplo de perfeição. É isso que os filhos esperam poder imitar.

Lauraine Santos.