domingo, 16 de agosto de 2015

Você usa os braços que tem?


Ia pela estrada a mãe e sua filha.
Cheia de sacolas, a mãe optou por ir empurrando a bicicleta com a menininha de uns quatro anos na garoupa. A pequena quis ir bebendo água.
A mãe parou tudo, deu o copo à criança, e, para não ter que ficar parada embaixo do sol quente, instruiu a menina:
- Com uma mão você segura o copo e com a outra se segura na bicicleta, pra não correr o risco de cair.
Só que a menina segurou o copo na mão em que a mãe lhe entregara, e ficou inerte, como se não tivesse entendido o recado. A mãe voltou a falar:
- Segura na bicicleta com a outra mão, filha.
E a menina parecia não compreender a linguagem da mãe. Ar abobado. Olhos espichados. Até que sem a menor malícia perguntou:
- Outra mão? Que outra mão?
Foi a vez então da mãe ficar com ar abobado. A menina não tinha nenhuma deficiência física, nem congênita nem adquirida. A mãe fez questão de conferir imediatamente, o outro braço e a outra mão estavam lá. Com uma breve apalpada e observação a mãe conferiu: 2 braços, 2 mãos, todos os dedos, olhos, orelhas, boca... Fisicamente, tudo perfeito.
Sem ainda entender bem o que acontecia, mãe e filha continuavam ali. Ambas assustadas, sem entenderem nada, e a filha com o copo d’água em uma das mãos e o outro braço pendurado, solto e obediente a todos os movimentos.
Foi quando a mãe pegou o outro braço da filha e mostrou:
- Essa mão aqui, ó! Você tem duas. Tem a que está com água e essa outra. Direita e esquerda.
Com sorriso do tamanho do universo, a menina sorriu, segurou-se na bicicleta com a outra mão e durante todo o percurso, dizia pra mãe:
- Eu tenho duas mãos, né, mãe?!
Ao fim da noite, a criança ainda exultava, feliz, espalhando aos quatro ventos: “eu tenho duas mãos!”
O que você tem e não usa?
O que você tem e não sabe que tem?
Qual potencial é tão natural que você até esquece que faz parte de você?
Quantas vezes você tem seguido a vida fazendo uso de deficiências que não possui?
Quantas vezes você tem se esquecido de que tem duas mãos, dois pés...??
Quantas vezes você tem se adaptado à zona de conforto sem dar-se conta de que “tem outra mão”?
Quais são os recursos que você tem e não enxerga que tem?
A história pode parecer boba, mas foi baseada em fatos, e nos diz o quanto, as vezes, precisamos de alguém que nos mostre as ferramentas que possuímos e não usamos, não enxergamos, não sabemos que temos, não nos damos conta de que podemos usar. Coisas tão naturais que nem mesmo percebemos...
Análise pode te ajudar a encontrar essa “mão perdida ou esquecida”. Use seus recursos.
Lauraine Santos

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