quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Emaranhando a vida

A nossa vida é um emaranhado de temas, assuntos, pensamentos e emoções dos quais acreditamos ter ciência e administrar muito bem.

No entanto, como seres complexos, somos também cheios de contradições.

E administrar essas contradições requer mais do que habilidade e boa vontade.

Não digo das contradições explícitas que sabemos que temos,
Mas daquelas que passam despercebidas e não nos damos conta de que existem.

Lembro agora de um exemplo bem simples disso...

Há aproximadamente um ano, conversava com uma amiga que, após o início de seu atual namoro, desenvolveu algumas alergias. Logo, a associação entre “tal namoro & alergia” vieram à tona.

Sendo assim, o quê, ou por que, uma coisa teria desencadeado a outra?
Que ligação existiria entre os fatos?

Ao continuarmos a conversa, ela me confidenciou que uma vez passou pela cabeça dela que talvez esse tal namorado- que ela conhecia pouco- pudesse ser casado. Hipótese que na época ela descartou muito mais por gostar do rapaz do que propriamente pela razão. E ela seguiu falando, que ignorou a possibilidade, mesmo que sua crença a dissesse que era errado e que não devia jamais se envolver com alguém compromissado.

A conversa prosseguiu, e quando esse assunto já estava praticamente esquecido, perguntei: “Amigãn, você se envolveria com um rapaz se tivesse CERTEZA de que ele era casado?”.  Ao que ela, muito rápida e espontaneamente me respondeu: “Creeeedo, amigããn!! Tenho ALERGIA a homem casado!” (Oi? Alergia? Eu ouvi isso mesmo?)


Embora o jovem com quem ela se relaciona não seja de fato casado, por alguns instantes, no pensamento daquela moça em início de namoro, ela acreditou que essa possibilidade podia ser real. E essa crença tornou-se um conflito, e esse conflito tornou-se uma doença.

O conflito foi a dúvida entre prosseguir com o relacionamento ou não, foi a dúvida entre abrir mão dos seus valores e crenças em busca de um amor. Foi pesar na balança o que valia mais, os princípios racionais ou a sensação avassaladora de prazer. E ela insistiu em ir contra seus princípios e valores ao prosseguir com o relacionamento mesmo antes de ter certeza de que o rapaz não era compromissado com outra pessoa.

Se por um lado ela optou pelo prazer, por outro, seus dogmas internos a condenaram.

Incrivelmente, após algumas semanas de bate papo abordando o tema, e elaborando o conflito, as alergias começaram a sumir progressivamente.

Detectar certos conflitos, às vezes, requer mais do que ser um bom amigo, ou bom ouvinte, mas o tato profissional, para não apenas detectá-los, mas também, ajudar a resolvê-los.

Lauraine Santos.

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