sábado, 25 de maio de 2013

Desvestir

Acordei, me vesti e saí.
Retornei, me despi e me deitei.

Lamentei-me pela pele de branco e pelo cabelo de negro.
Lamentei-me pela extrema largura e pela pouca estatura.

E não existe nenhuma história de amor.
Não existe nenhum verso inspirado em mim.

Não existe castelo, nem príncipe. Há apenas cavalos.

Fecho os olhos e vejo um carrossel girando feito um móbile pendurado no berço.
Enquanto a canção toca, o móbile gira, meu pensamento desliza entre as paredes do quarto
Procurando brechas por onde possam escapar!

Amanhã, tudo de novo: acordar, me vestir e sair.

Deitada, nua, mergulhada no móbile do meu berço,
Por hoje, já me despi demais.
Acho melhor cobrir meus sonhos,
Fantasiar meus ditongos, despedir meus hiatos e ir dormir.

Dormir até que o amanhã não possa chegar nunca mais!
Não vou mais me despir.
Deixarei que a vida por si só possa me desvestir!!

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