quarta-feira, 29 de maio de 2013

Felicidade

Ela respirou fundo.
Desceu do carro, fechou o retrovisor.

Não havia motivos para olhar para trás.
Atravessou a rua.
Sentiu a brisa tocar seu rosto,
Viu as folhas caírem secas.
Entrou no prédio, e tudo que viu dali por diante,
Foram as paredes cinza do seu escritório.

Ali, a vida se findou por inúmeros anos na ilusão de fazer parte dos empresários bem sucedidos!
Como empresários, talvez estivesse entre os melhores...

Como bem sucedido na vida, a informação é falsa.

O que jamais serei

Vou arrumar meu cabelo, meus brincos, minhas unhas: símbolos da minha vaidade.
Vou procurar sapatos de saltos bem altos, para me sentir elevada em soberba.

Tentarei disfarçar minha insignificância,
Como se fosse possível ignorar a amargura.

E eu sou apenas um poço de dúvidas insolúveis.
De tudo o que fui, sei que para sempre serei apenas o que não sou,
O que jamais serei.

sábado, 25 de maio de 2013

Desvestir

Acordei, me vesti e saí.
Retornei, me despi e me deitei.

Lamentei-me pela pele de branco e pelo cabelo de negro.
Lamentei-me pela extrema largura e pela pouca estatura.

E não existe nenhuma história de amor.
Não existe nenhum verso inspirado em mim.

Não existe castelo, nem príncipe. Há apenas cavalos.

Fecho os olhos e vejo um carrossel girando feito um móbile pendurado no berço.
Enquanto a canção toca, o móbile gira, meu pensamento desliza entre as paredes do quarto
Procurando brechas por onde possam escapar!

Amanhã, tudo de novo: acordar, me vestir e sair.

Deitada, nua, mergulhada no móbile do meu berço,
Por hoje, já me despi demais.
Acho melhor cobrir meus sonhos,
Fantasiar meus ditongos, despedir meus hiatos e ir dormir.

Dormir até que o amanhã não possa chegar nunca mais!
Não vou mais me despir.
Deixarei que a vida por si só possa me desvestir!!