domingo, 17 de junho de 2012

Carta sobre mim

Rio de  Janeiro, 04 de Junho de 2012


Sou feita de inquietudes e lembranças.
            Feita de abismos e pontes sobre as vidas que me cercam.
Ouço música alta para tentar abafar o que não quero ouvir gritando dentro de mim.
Idealizo o impossível e me perco nos meus pensamentos numa tentativa vã de fugir da realidade que me devora a vida.
            Dói o útero e o ovário – literalmente.
Escrevo com letras infantis, porque ainda sou criança.
Com a paciência no limite,
Com a fé na estaca zero,
Tem horas que me sinto num deserto, onde para o produto que vendo, não há consumidor.
                        Tento me desvencilhar da minha fé, mas alguma razão desconhecida me impede. Não consigo duvidar da existência de Deus por mais que eu tente: e tento muito! Ultimamente, questiono os fundamentos da minha fé. Acho que seria muito mais prático não crer em nada. Seria mais fácil não tentar compreender um ser infinitamente maior que eu.
            Não sei o motivo, não sei que raiz é essa plantada no meu existir que me impede totalmente de deixar essa crença em Deus pra lá! Relacionamentos são complicados. Os ateus pelo menos se abstêm do relacionamento com Deus. E se o relacionamento com outros humanos já é complicado, imagino a energia que os ateus poupam por não precisarem se relacionar com Deus...
            Se para tudo existe um motivo, começo a querer ser feliz sem compreender. Preciso começar a ser feliz, porque já percebi que nunca vou encontrar as respostas para as perguntas que me perturbam.

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