sexta-feira, 22 de junho de 2012

As vezes eu minto...

É raro, mas as vezes eu minto.
Como também é raro, as vezes falo a verdade.
Em geral mantenho meu silêncio,
Quase sempre valorizo a indiferença.

Ando pensando em algumas lembranças
Em alguns sentimentos recentes,
E percebo que quase nada mudou.

Ainda sou aquela criança insegura pelo excesso de mimos,
Ainda não aprendi a perder,
Ainda não aprendi a ser repreendida sem chorar,
Ainda não sei ser tudo o que eu quero ser.

Um dia talvez eu possa olhar pra trás e sorrir
Talvez um dia eu olhe pra trás e veja que não foi só ilusão,
Talvez um dia tudo isso se torne realidade,
E aí, com você ao meu lado,
Eu verei que valeu-me a pena de viver!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Impenetrável

Desde criança me educo para sempre ter a expressão de paisagem.
Não importa o que esteja acontecendo,
Sei guardar minhas impressões só pra mim.

Por algumas vezes me deixo respirar,
Deixo-me ser simpática e expressiva.
Antes era excesso de timidez,
Hoje é uma escolha quando me calo e não me faço notar.

Guardo meus pensamentos,
Não sinto necessidade de demonstrar o que sinto, muito menos, o que apenas penso.

E não adianta buscar nos meus olhos qualquer sinalização para saber o que eu acho ou deixo de achar,
Minha mente é impenetrável,
Minha cara de paisagem sabe quando não quero me revelar.

O corpo inteiro corresponde ao que quero demonstrar ou ocultar: cinestesia perfeita!
Sou minha própria caixa de segredos,
Abro-me ou fecho-me quando bem quero.

Não tente invadir o meu espaço, sei manter-me impenetrável e isolar o que não me convém.
Quando é do meu interesse, sei abrir a guarda, publicar um sorriso e manipular a fala.

Seja bem vindo, e sinta-se feliz por não ter recebido minha fisionomia vazia de expressão
E sim, repleta de traços que expressaram o quanto eu fico feliz em te ver.

Lauraine Santos

domingo, 17 de junho de 2012

Carta sobre mim

Rio de  Janeiro, 04 de Junho de 2012


Sou feita de inquietudes e lembranças.
            Feita de abismos e pontes sobre as vidas que me cercam.
Ouço música alta para tentar abafar o que não quero ouvir gritando dentro de mim.
Idealizo o impossível e me perco nos meus pensamentos numa tentativa vã de fugir da realidade que me devora a vida.
            Dói o útero e o ovário – literalmente.
Escrevo com letras infantis, porque ainda sou criança.
Com a paciência no limite,
Com a fé na estaca zero,
Tem horas que me sinto num deserto, onde para o produto que vendo, não há consumidor.
                        Tento me desvencilhar da minha fé, mas alguma razão desconhecida me impede. Não consigo duvidar da existência de Deus por mais que eu tente: e tento muito! Ultimamente, questiono os fundamentos da minha fé. Acho que seria muito mais prático não crer em nada. Seria mais fácil não tentar compreender um ser infinitamente maior que eu.
            Não sei o motivo, não sei que raiz é essa plantada no meu existir que me impede totalmente de deixar essa crença em Deus pra lá! Relacionamentos são complicados. Os ateus pelo menos se abstêm do relacionamento com Deus. E se o relacionamento com outros humanos já é complicado, imagino a energia que os ateus poupam por não precisarem se relacionar com Deus...
            Se para tudo existe um motivo, começo a querer ser feliz sem compreender. Preciso começar a ser feliz, porque já percebi que nunca vou encontrar as respostas para as perguntas que me perturbam.

01 de Junho de 2012.

Já há alguns anos escrevo essa data no cabeçalho dos meus textos.
Já há alguns anos escrevo sobre o que pretendo para o futuro.
Hoje, sabendo que nos anos anteriores eu fazia o mesmo que faço agora, me pergunto
Que futuro é esse que se repete ano após ano sem cessar?!
Esse é, literalmente, o futuro que escrevo.
Que apenas escrevo.

                               Tento me comunicar com o mundo em vezes que a comunicação comigo mesma está interditada. São as vozes caladas da solidão que me sufoca, são essas vozes que me submergem e me afogam em si mesmas...

   Do fundo do poço a única luz que se vê é inalcançável.
Os percursos não estão de acordo com os calçados que tenho.
Percebo que não tenho como fugir deste trajeto.
Sendo assim, o jeito é mudar meus sapatos.

           É impossível ouvir música sacra sem imaginar as pinturas barrocas do século passado.
           A cadeira de escritório me serve de parque, dou giros e vou de um lado a outro sem precisar me levantar.

As pessoas se sacodem, se descabelam em busca da verdade: a troco de quê?
Sempre fui dessas, de cobrar verdades, até que percebi que se as verdades fazem sofrer, é melhor não sabê-las. Principalmente, se não pudermos mudá-las. Foi quando descobri que algumas mentiras merecem não só crédito, como também, respeito.

          A verdade que machuca e deprecia é um afronto à maior das verdades que o homem merece experimentar: a felicidade.

07 de março de 2012.


Não me importa que o abstrato não exista.
Não importa o que diga a vida, sempre seguimos nossos instintos primitivos, onde o que sabemos, não precisa de professor, é no automático da praticidade, na guerra pela sobrevivência...
Para isso não  é necessário o racional, ou melhor, não se precisa racionalizar,
Basta agir!
Nem tudo que se faz é certo ou errado. Nem tudo é real.
Muita coisa é imaginação.
Os olhos enxergam o que o cérebro quer ver.
A alma nem sabe muito bem o que quer, apenas quer querer.

Paz as vezes requer guerra.
Conflitos nos permitem um estágio bom de humor, porque humor independe dos meios, apenas depende de alguns princípios.
São cadeias interligadas que nunca se completam porque o que se completa é finito,
Enquanto eu, como ser, sou infinita. 

06 de março de 2012.




Pensamentos são aves sem destino certo.
Pensamentos são aves que voam rumo ao sol, mas se perdem no caminho, se cansam de bater asas sem ter onde descansar e despencam do alto céu na velocidade da luz.
Os pensamentos são livres até que os coloquemos em cativeiro, marcados como bois.
Tão egoísta é o pensamento, que a todo custo tenta também aprisionar o sentimento
Sem perceber que não se pode racionalizar o que é abstrato. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ele

Há algo nele muito familiar que não consigo dizer o que é.
É tão familiar que parece partir de dentro de mim,
Talvez esteja tão próximo que me impede de enxergar.

Tenho tentado há dias, não consigo definir que sensação é essa.
Sinto-me apenas deslumbrada com o ser desconhecido.
(Aliás, o desconhecido me atrai! Curiosidade é meu bom veneno).

Fecho os olhos e algumas expressões retornam facilmente à minha memória visual,
Ouço aquela voz com tanta nitidez que até as pausas de pontuação e entonação posso facilmente reproduzir.

A não contestação ao elogio que fiz,
A risada de total aceitação e felicidade demonstrando aceitar sem duvidar do que eu dizia.
 - Talvez seja isso, uma pessoa que sabe se deixar ser elogiada sem falsa modéstia -
A voz firme. O senso de humor moderado.
A inteligência saltando no olhar.
As mãos não são brutas como as dos homens operários,
Nitidamente vê-se as mãos canhotas de um intelectual.

Estou simplesmente fora de órbita,
Usando todos os sentidos sem decifrar nenhum.
Desde que o vi
Uma luz estranha  acendeu na minha mente e não me deixa mais dormir em paz.

Desvairada desde a primeira expectativa em conhecê-lo,
Acordada com sono por não conseguir parar de pensar nele,
Voz, sorriso, mãos intelectuais, humor e inteligência...

Não posso ter dúvidas: estou realmente apaixonada por ele!!


domingo, 3 de junho de 2012

Sonhar enquanto se pode

Sonhar enquanto é tempo,
Enquanto a vida permite! 

O tempo passa e alguns sonhos viram pesadelos, 
Ideais perdidos na memória da existência. 
Como se o tempo fosse capaz de realmente apagar os sonhos que não conseguimos realizar... 

O tempo é passageiro,
É cruel,
É imbatível e irredutível quando contestado. 

Os sonhos não passam simplesmente sem deixar marcas. 
Ou se realizam ou machucam quando lembrados e avistados desfalecidos no abismo da vida. 

Enquanto tentamos realizar não temos tempo para perceber o inferno em que a vida pode se transformar 
O inferno? Sim, o inferno são esses sonhos que não realizamos, que deixamos pra trás como se pudéssmos esquecer simplesmente porque a razão quer assim... 

O inferno é dentro de mim!! 
São as dúvidas sem respostas,
O inferno é dentro de mim!!
São as frustrações pelo que não semeei!
O inferno é dentro de mim!!
Por tudo o que eu não sou, mas deveria ser. 
O inferno é dentro de mim, por tudo o que eu deveria ser, mas não sou!

O inferno, sou eu assim!!