domingo, 17 de julho de 2011

Alma em chamas.

Sonhei que eu lia uma carta que de repente começava a pegar fogo.
Sei que são minhas letras ardendo no inferno, são os meus desejos que queimam a minha alma.
São as letras que escrevo para ninguém ler.

Tentei apagar a chama da carta na pia da cozinha, onde encontrei peixes que aguardavam para ser transportados para qualquer aquário.
Vi um pequeno aquário quebrado, que não condizia com as carpas dentro da pia, apenas com o lindo peixe beta morto e estirado entre os estilhaços do quebrado aquário.

Havia água pelos cantos da cozinha, consequência de algum vazamento.
Tudo sujo, tudo fora do lugar.
Estilhaços de vidro e água pelo chão, um peixe morto num quebrado aquário e peixes vivos dentro da pia onde apaguei a chama da carta que queimou repentinamente enquanto eu a lia.

Concluo que só a vida dos peixes dentro da pia pode apagar esse inferno que atormenta a minha alma.

Aquela carta representa a minha alma, que de repente se joga no inferno em busca de uma vida melhor que não tem vivido.

No entanto, não quero confessar meus pecados, nem torná-los públicos, o ato de cometê-los já é suficiente para me fazer sofrer, e apesar disso, eu sei, vou cair no erro e persistir nele.

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